A reforma tributária deixou de ser um tema exclusivamente jurídico ou fiscal à medida que as regras avançam e a transição ganha forma. Empresas de diferentes setores começam a enfrentar decisões que impactam operações, contratos, sistemas, cadeias de fornecimento e estratégias de crescimento.
Foi com esse olhar prático que o Tax Update reuniu especialistas para discutir os principais desafios da implementação da reforma tributária e seus reflexos no ambiente de negócios. Ao longo do webinar, os palestrantes abordaram desde os aspectos gerais da transição até questões operacionais que já exigem atenção imediata das empresas.
Uma realidade que exige preparação desde já
Na abertura do evento, Juliani Dias destacou que a velocidade das mudanças regulatórias tem exigido das empresas um acompanhamento constante e uma postura cada vez mais proativa. Em um ambiente marcado por atualizações frequentes e elevado volume de novas normas, o desafio não está apenas em compreender a reforma, mas em transformar informação em planejamento e ação.
Complementando essa visão, Yule Oliveira apresentou um panorama dessa transição e dos desafios de implementação. A reforma inaugura um período de convivência entre sistemas antigos e novos, exigindo adaptações graduais em processos, governança e controles internos. O momento atual demanda organização, monitoramento e preparação para uma transição que se estenderá por vários anos.
Split payment, crédito tributário e a reforma do negócio
Ao abordar a vinculação do crédito ao pagamento e a mudança da tributação da origem para o destino, a sócia Cristina Camara chamou atenção para questões que já vêm mobilizando empresas de diversos segmentos. Segundo ela, muitos dos desafios discutidos atualmente não dizem respeito apenas à interpretação da legislação, mas à forma como as organizações irão operacionalizar as novas exigências.
Um dos focos é a relação entre crédito tributário e recolhimento do imposto pelo fornecedor. Temas como monitoramento de fornecedores, revisão contratual, compliance e gestão de riscos passam a ganhar protagonismo. Como ressaltou nossa sócia, a reforma tributária não representa apenas uma mudança de tributos, mas uma verdadeira transformação em como os negócios são estruturados e administrados.
Perspectiva internacional e experiências com IVA
Trazendo uma perspectiva comparada, nosso sócio Fernando Teles apresentou aspectos da implementação do IVA em Portugal e na União Europeia. Sua exposição mostrou que sistemas baseados no imposto sobre valor agregado são amplamente utilizados internacionalmente, mas também evidenciou que a transição exige tempo, amadurecimento institucional e adaptação por parte dos contribuintes.
A experiência europeia demonstra que a simplificação prometida pelos novos modelos tributários costuma ser resultado de um processo gradual de evolução regulatória e operacional. Nesse sentido, observar os aprendizados internacionais pode ajudar empresas brasileiras a compreender melhor os desafios que surgirão ao longo da implementação do IBS e da CBS.
Os impactos para as empresas e o setor de Oil & Gas
Encerrando o webinar, Otacilio Barbosa trouxe uma visão voltada aos impactos da reforma nas empresas, com destaque para o setor de Oil & Gas. Sua análise abordou que a adaptação não se limita às áreas tributárias e jurídicas, alcançando também planejamento financeiro, investimentos, contratos, tecnologia e gestão operacional.
Em um setor caracterizado por projetos de longo prazo e estruturas complexas, antecipar cenários e avaliar impactos torna-se fundamental para preservar competitividade e segurança jurídica. A mensagem foi clara: empresas que iniciarem desde já seus processos de adaptação estarão mais preparadas para enfrentar os desafios da transição e aproveitar as oportunidades criadas pelo novo sistema tributário.
A reforma tributária não deve ser encarada apenas como uma alteração legislativa
Essa mudança trata-se de uma transformação que afeta decisões estratégicas, modelos operacionais e a própria dinâmica dos negócios. Por isso, acompanhar as mudanças regulatórias, revisar processos internos e promover uma preparação estruturada será cada vez mais importante para empresas que desejam atravessar esse período de transição com segurança e eficiência.